Às vezes me pego a pensar...
Palavras surgem,
Palavras se apagam,
E o medo vem a me calar...
Mas para que esse medo?
Seria medo de errar,
Medo de sofrer,
Medo de tentar?
A noite calma se aproxima,
O silêncio a gelar meu corpo,
A sombra,
A me guiar...
Passos lentos sob a luz do luar,
Tímidas estrelas,
A enfeitar a imensidão do céu
Fazendo-me companhia,
E eu ainda a pensar...
O lago tocado suavemente pela brisa,
Leva-me a sonhar,
Tantos instantes que pareciam imortais,
E agora não mais poderia presenciar...
Sonhos vêm e vão,
Confundindo-se com a realidade...
Olhares,
Sorrisos,
Esperanças,
Medos...
O que fazer?
Será que consigo?
Medo?
Até quando...
Coragem?
Sei que é preciso...
Mas nem sempre fazemos o necessário,
Às vezes nem sabemos o motivo,
Apenas não fazemos...
Pequenas nuvens começam a se formar no céu,
As estrelas, minhas únicas companhias,
Começam a me deixar,
Uma a uma vão se escondendo,
Deixando-me cada vez mais só...
Fecho os olhos,
Pareço me transportar para outro lugar,
Uma paz,
Uma segurança,
Uma doce voz,
A me encantar...
Sinto como se flutuasse,
Mas sem tirar os pés do chão,
Um momento mágico,
Um momento único,
Ah como desejo que dure pra sempre...
Se for um sonho não quero acordar,
Um delírio?
Não desejo sarar,
Uma alucinação?
Quero continuar até quando for possível...
Pra sempre...
Delicadamente a chuva toca minha pele,
Cai sobre meus olhos,
Rola por minha face,
E morre em minha boca...
Sinto um toque levemente doce,
Como um beijo roubado...
Ao abrir os olhos,
Deparo-me com você,
Será real?
Ou será mais uma alucinação?
Uma brincadeira de meus próprios pensamentos?
Mais um beijo,
Um abraço quente,
E o sonho,
Transforma-se em realidade...
Será pra sempre?
Difícil prever o futuro,
Mas se o nosso hoje é uma caixa de surpresa...
Devemos viver o presente...
Viver...
Aproveitar cada minuto,
Viver cada dia,
Como se fosse o último...
Ter consciência e responsabilidade
Viver...
Viver sem medo,
Sem medo de ser feliz...
(escrita a duas mãos Fernando e Mary)
